domingo, 20 de janeiro de 2008

...solidão com vista pro mar ou outra coisa prá lembrar


...metades idênticas não se completam...são apenas duas metades iguais...amo tanto.

domingo, 13 de janeiro de 2008

a meio caminho...



Um tremor momentâneo e ela se vira na cama. Abre os olhos e a réstia de sol invade todo o quarto. A mesma pergunta de sempre se expande e lhe acerta o meio dos olhos.
-Voltei?
O desânimo escapa-lhe pelas narinas sem pausa. O teto de sempre a lhe lembrar que existem limites, e em sucessão, a ira a lhe inflar os pulmões.
-Voltei. Constata.
E lá vem as horas em cascata.
E lá vem o cotidiano em corrente.
Iluminação e fisiologia não andam de mãos dadas.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Psicodelia...o início


Era final de tarde porque assim eles queriam que fosse. Ela satisfeita, sorridente com seus presentes. Um brinco no qual carrega a fagulha bela de um pavão e a certeza e tranquilidade de que apenas bons sonhos lhe acharão, nos cabelos um peixe arfando em madeira talhada e nos dedos o brilho de toda constelação numa estrela e espiral cósmica.


A sua frente, somente os pés dele, rápidos, vacilantes espalhando areia fina, abrindo caminho ora no risco já traçado, ora fazendo o seu próprio. Ela absorta, deslizando seus olhos pelos ombros, costas e se perdendo vez ou outra em penas dispostas em círculo. Uma mandala viva de penas mortas. Esse é o seu amor.


Já não existe um discurso coerente, apenas risos, felicidade premeditada. Ela tão presente, ele tão ansioso.


A meio caminho de lugar algum, bem ali onde o rio mergulhou na terra, um fóssil de rio, ele mostra para ela o transporte. Uma bicicletinha tosca. Frágil, quase feita de papelão!


Tanta promessa naquele olhar azul.


Ela de uma natureza abstraída onde a viagem é sua parceira de todos os dias momentaneamente sente medo dessa nova desventura que lhe aguarda impaciente.


1/4. Foi essa parte que lhe coube do passeio. 1/4 de caminho para o outro lado do rio.


Ela sorveu aquele passeio agri-doce. Ele gargalhou. Ele desdenhou. Ele riu de sua proeza, de suas lâmpadas vivas de mercúrio, da conversa do vento em seus ouvidos. Ela via nuvens diáfanas em todo o lugar. Vegetação entre nuvens. Casas entre nuvens. Pessoas entre nuvens. Isso é o céu. Só pode ser.


Chegam finalmente onde existe o portão. Lado de cá ou lado de lá é o que menos importa, mas ela ainda precisa desse aconchego. Saber que pertence a um local físico, palpável.


1/4 de viagem e nem mesmo 1/4 dela está ali, presente. Está desfeita em qualquer outro canto.


E ele...ele não está. Simplesmente não está. Mas ela pode ouvi-lo infinitamente, incessantemente. Ele não se cala um único miserável segundo. Ela o ouve e ouve a todos com quem ele conversa. Todos eles sussurrando, todos eles gargalhando, todos eles regogizando-se.


Ela na certeza de que alçaria voo, se volta pra terra. Deita-se no chão e sente cada pedaço de corpo virar um só com aquela lajota fria, áspera e empoeirada.


Ele derrete. Ele somente derrete. E isso lhe é maravilhoso. Perder as formas. E isso lhe é ao mesmo tempo monstruoso e assustador. Perder a forma, deixar de ser. Ela já é disforme a algum tempo. É chão, é terra, é mato. E quanto mais ele grita que vai derreter a ponto de sumir, quanto mais ele a provoca, quanto mais anseia por uma atitude vinda dela, ela simplesmente é!


Ela tenta em vão organizar o que lhe resta de sensatez, de razão. Um momento de coerência. É tudo o que ela precisa para contê-lo. Para algo que perde a forma, fôrma. É o seu momento máximo de lucidez. Se soube estúpida mas foi o mais coerente que pode ser. A fôrma era a solução para ele que se deformava e para ela que só queria poder se esparramar ainda mais naquele tudo.


Mas que inferno de contra-ponto. A ode dele é por liberdade. Quer ser livre, não quer laços, não quer amarras, não quer dedos entrelaçados e ao mesmo tempo brada por formas. E ela sempre querendo ajudar, sempre querendo ter a palavra exata, a atitude exata. Não o que é certo ou errado, mas o que é exato, mas está ali, inerte, sem a menor vontade de ação...


sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Lilith


- Lá vem, lá vem!

- Olha ali. Tal qual serpente deslizando num céu aquoso...molhada!

- Não, nada disso. É o desejo que serpenteia seu corpo.

- É desejo.